Em 2025, 745 mil crianças e adolescentes deixaram de ir à escola no Brasil por causa das mudanças climáticas

Por EAD e Comunicação

16.09.2026 | Atualizado: 16.09.2026
Em 2025, 745 mil crianças e adolescentes deixaram de ir à escola no Brasil por causa das mudanças climáticas

Confira os cursos e materiais da estratégia Busca Ativa Escolar para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas na frequência, abandono e evasão escolar

Um novo levantamento divulgado pelo UNICEF em setembro de 2026 mostra o tamanho do desafio que as crises climáticas representam para a permanência de crianças e adolescentes na escola. Segundo o relatório Aprendizagem Interrompida: Panorama Global das Interrupções Educacionais Relacionadas ao Clima em 2025, mais de 171 milhões de estudantes em todo o mundo — 1 em cada 10, da Educação Infantil ao Ensino Médio — tiveram a educação interrompida por riscos climáticos em 2025. Tempestades, enchentes, ondas de calor, secas e incêndios florestais levaram à suspensão de aulas, danos em escolas, migração para o ensino remoto, redução do tempo letivo, queda na frequência escolar e aumento do risco de evasão para milhões de estudantes.

No Brasil, os eventos climáticos impactaram pelo menos 745 mil crianças e adolescentes, que tiveram o acesso à Educação impossibilitado em algum momento de 2025 por questões climáticas, principalmente por causa das ondas de calor. O número inclui estudantes do Rio Grande do Sul que ficaram sem aulas no início do ano por conta de uma onda de calor, e estudantes do Paraná que não conseguiram frequentar a escola após um tornado, em novembro. 

Diante desse cenário e das previsões climáticas para 2026, com o fenômeno Super El Niño em curso, a pergunta que os gestores da Educação e as equipes estaduais e municipais da estratégia Busca Ativa Escolar (BAE) devem se fazer é: como se preparar para fazer o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas na frequência, abandono e evasão escolar?

Atenção permanente

Para gestores(as) e equipes técnicas da Educação, existe uma tensão permanente sobre como manter as atividades escolares nesses contextos. Em muitas realidades, a escola é o único espaço que garante segurança alimentar, salubridade, organização e desenvolvimento para crianças e adolescentes. Quando esse equipamento não está disponível, todos os outros fatores de vulnerabilidade se agravam.

Por isso, desde a pandemia de Covid-19 em 2020, o UNICEF, a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e demais parceiros institucionais da BAE têm acompanhado de perto o agravamento do cenário de exclusão e evasão escolar em situações de crises e emergências. Essa preocupação tem se manifestado na forma de apoio aos Dirigentes Municipais e Estaduais de Educação. As equipes técnicas de Educação não estão sozinhas nesse desafio!

A principal forma de apoio às gestões estaduais e municipais é o fomento, organização e o compartilhamento de boas práticas de gestão já implementadas e testadas em várias partes do Brasil, inclusive durante crises e emergências. Lembre-se, o Brasil é um país de extensão continental, ou seja, temos mais de 5.500 municípios e dirigentes municipais buscando soluções para problemas que, guardadas as especificidades locais, são comuns a todos. Muitas soluções aplicadas em um município podem ser adaptadas e replicadas em outras realidades. 

Com as previsões relacionadas ao El Niño para o Brasil, essa articulação em rede se torna ainda mais importante. Um dos pontos mais relevantes em uma crise é justamente a capacidade de resposta produzida por quem já a enfrentou.  Por isso, é fundamental que equipes de Educação estejam atentas às boas práticas de outros territórios e mantenham conexão com outras redes.

Busca Ativa Escolar em Crises e Emergências

A BAE, que apoia estados e municípios a identificar, (re)matricular e acompanhar crianças e adolescentes de 4 a 17 anos fora da escola ou em risco de abandono, evasão ou exclusão escolar, também conta com curso, publicações e matérias que norteiam a pronta resposta dos estados e municípios a situações de crise climática e mostram como diferentes territórios organizaram sua resposta a esses eventos emergenciais. 

Na Biblioteca da BAE, gestores(as) e equipes técnicas encontram conteúdos que ajudam a planejar a resposta antes, durante e depois de eventos como ondas de calor, enchentes e outros riscos climáticos, para que a interrupção das aulas seja a menor possível e o retorno das crianças e adolescentes à escola aconteça o mais rápido possível.

🔗 Acesse a seção Busca Ativa Escolar em Crises e Emergências na Biblioteca. 

Além dos materiais da Biblioteca, a BAE oferece no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) o Curso Busca Ativa Escolar em Crises e Emergências, uma capacitação online e gratuita, em formato de Ensino a Distância (EAD), que orienta equipes públicas a garantir o direito à Educação de crianças e adolescentes em situações de calamidade. Aberto a todo o público interessado, com foco em gestores(as) e profissionais das redes de proteção, o curso prepara as equipes para agir diante de crises climáticas, sociais ou de saúde pública, evitando o aumento da evasão e do abandono escolar. O conteúdo adapta a metodologia da Busca Ativa Escolar para o planejamento de ações imediatas e de médio prazo e reforça a articulação intersetorial com a rede de proteção social. 

Já na seção Notícias do site da BAE, é possível conferir o que os estados e municípios estão realizando para fazer o enfrentamento às situações emergenciais. Confira os conteúdos publicados no site navegando nas tags Crises e Emergências, Crises Climáticas, Crises Sociais, Crises Sanitárias, Eventos Climáticos e Mudanças Climáticas.

Então fica a dica: diante das previsões climáticas para 2026, acesse os materiais da Biblioteca da BAE sobre crises e emergências, leve as boas práticas de outros municípios para discussão no Comitê Gestor Intersetorial do seu território e mantenha a conexão com a rede de proteção — Educação, Assistência Social, Saúde e Conselho Tutelar — para que, mesmo diante de uma crise climática, nenhuma criança ou adolescente fique de fora da escola. Afinal, "Fora da Escola Não Pode!"

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil