Crises climáticas: especialistas defendem protocolos integrados para evitar o abandono escolar
Durante o 11º FNEX, UNICEF destaca como a estratégia Busca Ativa Escolar garante o direito de aprender e a permanência de estudantes na escola em cenários de emergência
De que maneira a estratégia Busca Ativa Escolar (BAE) pode ser utilizada para garantir o acesso de crianças e adolescentes à educação e a sua permanência na escola em situações de emergências climáticas? Essa foi uma das perguntas respondidas por oficiais de Educação do UNICEF Brasil na mesa temática “Educação Resiliente e Proteção Integral em Contextos de Crises Climáticas”, realizada nesta terça-feira, dia 26 de maio de 2026, em Brasília/DF.
A palestra faz parte da programação do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação (FNEX), que começou no último domingo, dia 24 de maio de 2026, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e se encerra nesta quarta-feira, dia 27 de maio. Ministraram o painel Ana Carolina Fonseca, oficial de Educação e Proteção; Cynthia Ramos, oficial de Educação em Emergências; e Erondina Silva, oficial de Educação.
Os eventos climáticos têm interrompido o direito de estar na escola e de aprender de milhões de estudantes no país. De acordo com os dados apresentados pela equipe do UNICEF, no Brasil, mais de 40 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a mais de um risco climático. Em 2024, 1,17 milhão de meninos e meninas tiveram os estudos interrompidos por eventos climáticos. Na Região Amazônica, a seca impactou 436 mil estudantes e mais de 1.800 escolas, sendo que mais de 100 são indígenas. No Rio Grande do Sul, 741 mil estudantes e duas mil escolas da rede estadual foram afetados por enchentes.
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Neste cenário, a Educação precisa ser um dos eixos centrais da resiliência nos municípios. Durante uma emergência, a escola deixa de ser apenas um local de ensino e se torna um espaço de proteção. Entretanto, a Educação não pode agir sozinha. Crises climáticas exigem uma articulação direta com a Defesa Civil, Saúde e Assistência Social. Essa união permite entender quem são os estudantes mais afetados, quais caminhos para a escola estão obstruídos e quem corre maior risco de evasão devido ao aumento da vulnerabilidade familiar.
Para enfrentar esse desafio, a estratégia de Busca Ativa Escolar se torna uma aliada fundamental, especialmente, por estar fundamentada na intersetorialidade, com fluxos já estruturados para o acolhimento de crianças e adolescentes. Ou seja, a BAE também é uma ferramenta importante para a justiça climática, garantindo que as populações mais vulneráveis não sejam as mais prejudicadas pelo abandono escolar em tempos de crise.
A BAE tem um guia que orienta estados e municípios a implementar e adaptar a metodologia em situações de crises climáticas, sanitárias e sociais, apoiando os/as gestores/as públicos/as no planejamento de ações imediatas e a médio e longo prazos para garantir o acolhimento e a continuidade do vínculo dos/as alunos/as com a escola.
Protocolos
A recomendação aos gestores municipais é de que fortaleçam os grupos intersetoriais e utilizem sistemas de alerta, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), integrando esses dados ao planejamento da Secretaria de Educação.
As oficiais do UNICEF destacaram ainda que os municípios devem ter protocolos específicos para cada tipo de desastre. Na seca, o desafio é a falta de água e segurança alimentar, que impede o funcionamento das escolas e afeta a aprendizagem em razão do desconforto. Já nas enchentes, a prioridade é a evacuação segura e a garantia de que as escolas não sejam utilizadas permanentemente como abrigos, o que compromete o ano letivo.



