Caminhos de volta à escola no Espírito Santo

Por UNICEF

18.05.2026 | Atualizado: 18.05.2026
Caminhos de volta à escola no Espírito Santo

Com o apoio da Busca Ativa Escolar, municípios como Nova Venécia e Marechal Floriano mobilizam a rede de proteção para identificar crianças e adolescentes fora da escola e garantir seu retorno às salas de aula

O Espírito Santo tem quase quatro milhões de habitantes. Entre eles, estão cerca de 722,5 mil meninas e meninos entre 4 e 17 anos — segundo dados do Anuário Brasileiro da Educação 2025,  idade em que estudar é um direito garantido por lei e também obrigatório. 

Mesmo assim, nem todos conseguem chegar ou permanecer na escola. Em alguns casos, a distância é grande demais. Em outros, mudanças de endereço, dificuldades familiares ou a falta de acesso à creche e à educação infantil acabam dificultando ou interrompendo a trajetória escolar.

O Guia de Boas Práticas da Busca Ativa Escolar no Espírito Santo destaca que, em muitas regiões do estado, a própria dinâmica econômica também influencia a rotina das famílias. O Espírito Santo é um importante produtor de café, e períodos como o da colheita costumam mobilizar trabalhadores e provocar deslocamentos temporários, o que pode impactar a frequência escolar de crianças e adolescentes.

Para enfrentar essa realidade, municípios capixabas contam com o apoio da Busca Ativa Escolar, uma estratégia desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). No Espírito Santo, a iniciativa é realizada em parceria com o Governo do Estado, com investimento e parceria estratégica da EDP, distribuidora de energia elétrica no estado, e apoio técnico do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC).

A estratégia busca identificar crianças e adolescentes que estão fora da escola ou em risco de abandono e mobilizar uma rede intersetorial de profissionais para apoiá-los no retorno às salas de aula. Os resultados mostram o avanço desse trabalho no estado. Entre 2017 e 2023, cerca de 348 meninas e meninos haviam sido rematriculados na plataforma. A partir de 2023, com o fortalecimento da iniciativa, 5.211 crianças e adolescentes voltaram para a escola no Espírito Santo, um crescimento de quase 1.500%.

Por trás desses números está o trabalho de uma rede formada por profissionais da educação, da assistência social, da saúde e de outras áreas. São eles que percorrem comunidades, conversam com famílias, identificam as razões que levaram cada criança ou adolescente a deixar a escola e buscam caminhos para garantir seu retorno e permanência nos estudos.

É esse esforço coletivo que ganha vida em municípios como Nova Venécia e Marechal Floriano, onde gestores públicos e equipes locais trabalham para garantir que cada menino e cada menina tenham a oportunidade de aprender e de construir novos caminhos para o futuro.

Planejamento que ajuda a manter crianças na escola

Em Nova Venécia, no norte do Espírito Santo, a Busca Ativa Escolar já faz parte da rotina do município há alguns anos. Nos últimos tempos, o trabalho ganhou novo impulso com a organização de um plano de ação que ajuda a orientar as equipes e definir prioridades.

Para Vanessa Cassaro, coordenadora operacional da estratégia no município, o planejamento ajuda a transformar a Busca Ativa Escolar em um trabalho contínuo de cuidado com cada estudante. "A estratégia Busca Ativa Escolar dentro do municí­pio de Nova Venécia, ela tem uma grande importância para retornar os alunos que estão­ fora da escola ou também aqueles que estão apresentando em infrequência. Então, de acordo com as orientações da estratégia pelo UNICEF e pelo CDJBC e todos os parceiros que nos auxiliam, a gente montou um plano de ação com metas específicas para que a gente pudesse alcançar essas crianças e adolescentes. Entre experiências, todas as quintas-feiras, a gente desenvolve o Dia D da Busca Ativa Escolar, quando vamos nas casas das famílias que chegam para nós por meio dos alertas, para entender quais são as dificuldades que essas crianças e adolescentes estão enfrentando para deixá-las fora da escola. E com isso, a gente aciona a nossa rede de cuidados dentro do comitê para retornar esses estudantes para a escola"., explica

A partir desse planejamento, profissionais da educação, da assistência social, da saúde e de outras áreas trabalham juntos para identificar crianças e adolescentes que estão fora da escola ou com muitas faltas, entender o que está acontecendo e buscar caminhos para garantir que eles continuem estudando.

“Não é só ver que o estudante está fora da escola e tentar colocá-lo de volta, mas definir quais são as estratégias para trazê-lo e para que toda a população conheça o trabalho da Busca Ativa Escolar”, explica.

Com o acompanhamento mais próximo da frequência dos estudantes, as equipes conseguem agir rapidamente quando surgem sinais de alerta, evitando que a infrequência se transforme em abandono escolar.

Assim, pouco a pouco, o trabalho da Busca Ativa Escolar vai ajudando a garantir que mais crianças e adolescentes permaneçam na escola.

Trabalho em rede fortalece o retorno à escola

Em Marechal Floriano, na região serrana do Espírito Santo, a Busca Ativa Escolar também se tornou uma ferramenta importante para acompanhar a trajetória de crianças e adolescentes e evitar que eles deixem a escola.

No município, a estratégia ganhou força com o uso da plataforma da Busca Ativa Escolar, que ajuda diferentes setores da gestão pública a trabalharem juntos no acompanhamento dos casos. Jomaira Ramos de Freitas Mariano, coordenadora operacional da estratégia no município, explica como a ferramenta ajuda a conectar o trabalho a várias áreas:

“O uso da plataforma é basal da nossa ação intersetorial no município, porque a Busca Ativa Escolar reverbera em outras estratégias e atividades desenvolvidas por diferentes profissionais. Existem muitos fatores que interferem na frequência escolar do estudante, e a educação sozinha não consegue resolver tudo”, explica.

Por meio da plataforma, profissionais da educação, da saúde e da assistência social conseguem registrar informações, acompanhar situações de infrequência e buscar soluções de forma conjunta.

Com o compartilhamento dessas informações entre os setores, o município consegue identificar rapidamente quando uma criança está fora da escola ou correndo risco de abandono e agir para garantir que ela volte a estudar.

A experiência mostra que, quando diferentes áreas trabalham juntas, fica mais fácil entender os desafios enfrentados por cada família e construir caminhos para que nenhuma criança ou adolescente fique fora da sala de aula.

Experiências como as de Nova Venécia e Marechal Floriano mostram que fortalecer a Busca Ativa Escolar passa, além de tudo, pelo trabalho conjunto entre diferentes áreas. Educação, Assistência Social, Saúde e outras políticas públicas atuam lado a lado para identificar situações de risco, acompanhar cada caso e construir caminhos para que crianças e adolescentes permaneçam na escola.

Esse trabalho também envolve a formação contínua das equipes, a construção de planos de ação e o acompanhamento atento das situações identificadas. Mais do que uma metodologia, a Busca Ativa Escolar se consolida como uma estratégia de garantia de direitos, capaz de reconhecer as diferentes vulnerabilidades que atravessam a vida de meninos e meninas.

Assim, ao reunir dados, mobilizar profissionais e aproximar as famílias da escola, a iniciativa ajuda a transformar histórias de afastamento em histórias de retorno e de novas oportunidades de aprendizagem.

Sobre a Busca Ativa Escolar

Desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a Busca Ativa Escolar (BAE) apoia estados e municípios na identificação, no registro, no acompanhamento e na rematrícula de crianças e adolescentes que estão fora da escola ou em risco de abandono.

Com metodologia intersetorial e tecnologia gratuita, a estratégia fortalece a atuação coordenada de diferentes áreas do poder público para garantir o direito à educação. Atualmente, mais de 2.700 municípios e 21 estados participam da iniciativa em todo o Brasil.

No Espírito Santo, a iniciativa é realizada em parceria com o Governo do Estado, com investimento e parceria estratégica da EDP, distribuidora de energia elétrica no estado, e apoio técnico do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC). Para ações gerais de Educação, o UNICEF Brasil conta com a parceria estratégica de TP, parceria da Fundação Itaú e o apoio de FTD Educação. Além disso, temos o Grupo Profarma e XBRI Pneus como parceiros estratégicos para toda sua atuação no Brasil.


Foto: UNICEF/BRZ/Vitor Denaday - MR Produções