Censo Escolar: abandono no ensino médio cai e chega ao menor nível desde 2007
No estado de Alagoas, onde 100% dos municípios são adesos à BAE, a queda no abandono escolar foi de 81% entre 2022 e 2025, saindo de 7,5% para 1,4%, segundo o Censo Escolar 2025; já no estado do Amazonas, onde 98,39% dos municípios são adesos, o abandono escolar no ensino médio da rede pública caiu cerca de 47%, passando de 8,1% em 2022 para 4,1% em 2025
A divulgação da segunda etapa do Censo Escolar 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no dia 26 de junho de 2026, consolidou avanços históricos na educação pública: o Brasil atingiu os menores índices de abandono e reprovação no ensino médio (EM) da rede pública, desde o início da série histórica em 2007. Nacionalmente, o abandono recuou 61% entre 2022 e 2025, enquanto as reprovações caíram 62%. No período, a distorção idade-série foi reduzida em 28% e a taxa de aprovação subiu 11%.
“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil”, resume o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
A taxa de abandono escolar chegou a 2,5% no ano passado – como já dito, a menor desde 2007. Em relação a 2023, ano anterior à implementação do Programa Pé-de-Meia, o abandono diminuiu 34%. Quando observado o abandono no 1º ano, o maior gargalo da evasão/abandono no ensino médio devido à inserção precoce no mercado de trabalho e a falta de interesse nos estudos, a quantidade de estudantes que não voltaram às salas de aula caiu de 8,7% em 2015 para 2,2% em 2025, também a menor taxa da série histórica. De 2024 para 2025, a taxa de abandono no início do ensino médio teve uma redução de mais de 40%: de 3,7% para 2,2%.
“Um resultado novo, produzido pelo Inep, observa o que aconteceu com os estudantes que deveriam voltar à escola no ano seguinte e indica que a taxa de não-retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025, o que significa que mais jovens permaneceram estudando. Esse avanço faz bastante diferença: se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio – ou seja, um número muito grande de jovens, que poderia estar fora da escola, mas seguiu estudando”, explica Manuel Palacios, presidente do Inep.
O Programa Pé-de-Meia tornou-se o principal pilar de sustentação financeira para conter a evasão de jovens vulneráveis. Com um investimento anual de R$ 12 bilhões, o programa exige frequência mínima de 80% e aprovação para liberar os saques e bônus.
“O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes. Eu poderia dizer que o Pé-de-Meia é o carro-chefe dessa política toda”, explica o Ministro da Educação
Juntos somos mais fortes
Esses indicadores refletem o cumprimento prático da missão da estratégia Busca Ativa Escolar (BAE): mitigar intersetorialmente os problemas que afastam crianças e adolescentes das salas de aula, garantindo não apenas o retorno, mas a permanência e o sucesso escolar de cada estudante.
No estado de Alagoas, onde 100% dos municípios são adesos à BAE, a queda no abandono escolar foi de 81% entre 2022 e 2025, saindo de 7,5% para 1,4%, segundo o Censo Escolar 2025. A capilaridade da Busca Ativa Escolar em Alagoas funciona porque, uma vez que o município localiza e traz o adolescente de volta, o estado oferece as condições estruturais para que ele queira — e possa — ficar. O estado combinou o Pé-de-Meia, que beneficia 172,2 mil estudantes alagoanos/as, com o programa estadual Cartão Escola 10, que exige frequência superior a 90% e concede auxílio mensal de R$ 100 para o ensino regular e R$ 150 para o tempo integral, além de um prêmio de R$ 2.000 ao concluir o ensino médio.
"As políticas de assistência educacional financeira têm apoiado demais a permanência do aluno. Independentemente do que se diga, essa assistência tem trazido o estudante para a escola", afirma Ricardo Lisboa, superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio e Políticas Educacionais da Seduc-AL.
Nos estados do Espírito Santo e Pernambuco, onde também todos os municípios implementaram a estratégia para fazer o enfrentamento à exclusão escolar, o abandono escolar reduziu 75% (de 2% para 0,5%) e 62,5% (de 1,6 para 0,6), respectivamente.
Nos últimos 9 anos, a BAE colocou dentro das salas de aula em todo o Brasil aproximadamente 326,7 mil crianças e adolescentes, sendo que 190.407 meninos e meninas estavam na região Nordeste e 99.997 no Norte.
O abandono escolar no ensino médio da rede pública do Amazonas caiu cerca de 47% nos últimos anos, passando de 8,1% em 2022 para 4,1% recentemente. Este avanço é reflexo direto de políticas públicas de permanência, com grande destaque para o programa federal Pé-de-Meia, que atende mais de 198 mil estudantes no estado. No estado, no ciclo atual de gestão (2025/2028), 61 dos 62 municípios são adesos à BAE. Em 9 anos, as equipes municipais e estadual da BAE em AM devolveram para as salas de aula 23,7 mil crianças e adolescentes.
Com informações de Agência Brasil, G1, ICL Notícias e INEP/MEC.
Foto: Danielle Pereira/UNICEF Brasil
