Além dos números: o papel transformador da Busca Ativa Escolar diante do novo Censo Escolar
Enquanto o Censo indica que a educação brasileira está ficando mais eficiente e próxima da universalização para quem já está no sistema, a exclusão escolar ainda impacta quase 1 milhão de brasileiros entre 4 e 17 anos
Os dados da primeira etapa do Censo Escolar 2025 revelaram um cenário que pode gerar questionamentos à primeira vista: a redução de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica. Segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a queda de 2,29% não é um problema, mas sim o reflexo de dois fatores positivos: a diminuição da população infantil, transição demográfica marcada pela queda na taxa de natalidade; e a maior eficiência do sistema educacional, evidenciada pela expressiva queda nas taxas de repetência e na distorção idade-série. O fluxo escolar melhorou, e os alunos estão concluindo as etapas na idade certa.
No entanto, enquanto o Censo indica que a educação brasileira está ficando mais eficiente e próxima da universalização para quem já está no sistema educacional, existe uma realidade paralela que exige atenção contínua. É exatamente nesta lacuna que a Busca Ativa Escolar (BAE), desenvolvida pelo UNICEF e pela Undime, em parceria com o Conasems e o Congemas, demonstra o seu impacto transformador na Educação e na sociedade brasileira.
Além dos números
Mesmo com a comemorada correção de fluxo apontada pelo MEC, a exclusão educacional não desapareceu com a mudança demográfica. Dados da PNAD Contínua/IBGE (2024) alertam que 993 mil crianças e adolescentes de 4 a 17 anos ainda estão fora da escola no país. A queda geral no número de matrículas do Censo poderia facilmente mascarar o abandono escolar das populações mais vulneráveis. É aí que a atuação intersetorial da BAE se torna estratégica e fundamental para promover a verdadeira universalização da educação.
A Busca Ativa Escolar estimula que estados e municípios não fiquem esperando o aluno procurar a escola, mas que vão até ele e utilizem as políticas públicas disponíveis para melhor atendê-lo. Cruzando os esforços de estados e municípios com os dados levantados pelo Censo Escolar, é possível verificar que os resultados obtidos por meio da BAE colaboram substancialmente para a garantia dos direitos à educação no Brasil:
- Mais de 300 mil (re)matrículas: Entre 2017 e 2025, a estratégia foi a força motriz que identificou e levou de volta às salas de aula mais de 300 mil crianças e adolescentes que estavam fora da escola ou em risco severo de evasão;
- A queda real do abandono: Estudos mostram que os municípios que implementam a metodologia da BAE conseguiram reduzir suas taxas de abandono e evasão entre 12% e 16,7% nos anos iniciais do ensino fundamental, segundo a publicação “Avaliação Formativa da Busca Ativa Escolar no período 2017-2023”. Por meio de ações das equipes estaduais e municipais, a iniciativa evitou que dezenas de milhares de alunos e alunas engrossassem as estatísticas de exclusão.
- Primeira Infância: O Censo Escolar 2025 aponta um avanço importante no acesso a creches, chegando a 41,8% de atendimento para a faixa de 0 a 3 anos. Contudo, quase 60% desses bebês e crianças pequenas continuam aguardando por uma vaga. A estratégia tem sido fundamental para mapear essas famílias, organizar a demanda manifesta e auxiliar os governos a planejarem a expansão de suas redes de modo a caminhar em direção ao atingimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
Ninguém fica para trás
Os dados do Censo Escolar 2025 mostram um Brasil que avança na regularidade de suas turmas, na conectividade de suas escolas e na melhoria dos indicadores educacionais de modo geral. Porém, a qualidade e a eficiência de um sistema não se medem apenas por quem consegue se formar, mas por quem é incluído nele.
A Busca Ativa Escolar prova, na prática, que o combate à exclusão exige um esforço ativo, comprometido e contínuo. Ao colaborar para que mais de 300 mil estudantes com perfil social dentre os mais excluídos voltem às salas de aula, a BAE garante que os números de matrículas não sejam apenas estatísticas de um país em transformação demográfica, mas sim a prova viva de que o direito à educação está sendo, dia após dia, garantido a todas e todos.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
